Entrevista com o ator e diretor Alexandre Battel

25/08/2015

 

 

Muito bom entrevistar e conhecer de perto o trabalho maravilhoso de um artista completo como você ,  Alexandre Battel.

 

Obrigada pelo carinho!

 

 

 

Como surgiu a idéia de ser ator?

 

R: Acredito que essa arte já está no sangue. Sempre assistia TV e me via apresentando programas, brincava de montar cenas, escrevia desde muito pequeno. O teatro propriamente começou na escola, nas aulas de educação artística, quando tínhamos oportunidade de realizar outros trabalhos além de desenhos.  Depois disso fui procurar grupos para participar e nunca mais parei.

 

 

Teve apoio de sua família e amigos?

 

R: Minha vontade foi única, não tenho ninguém na família ligado à arte. Meus pais apoiam, claro e participam também do processo e amigos vieram também no meio. Agora um apoio fundamental que nunca posso deixar de agradecer é minha querida Leci Brandão!

 

 

O que é ser ator? Quais as dificuldades para se tornar um ?

 

R: Ser ator é ser tudo e todos em um só ser. Você tem a oportunidade de vivenciar situações, que fogem do seu cotidiano. É de muita responsabilidade, pois muitos estão vendo a analisando seu trabalho e às vezes, inspirando-se em alguma personagem.

 

Dificuldades temos devida à falta de interesse político em ter um povo culturalmente evoluído aqui no Brasil.

 

O teatro serve para tornar o cidadão pensante, crítico e isso não interessa ao domínio político.  Fora o preconceito que ainda existe, pois tem gente que acha que ser ator é ser prostituto, outros fazem a típica pergunta “você trabalha ou só faz teatro?”, tudo fundamentado no preconceito.

 

 

O Brasil é um país onde o artista tem apoio  profissional?  É fácil ser ator aqui?

 

R: Comentei um pouco sobre isso na pergunta anterior. Realmente aqui nada é fácil, quando ligado à arte. Apesar do Governo negar, sabemos que patrocínio quem consegue são grandes, cito aqui Maria Bethania, Luan Santana, Beth Carvalho, pessoas que cobram cachês absurdos para fazer seus shows e mesmo assim o governo banca, enquanto que grupos que realmente levam cultura às comunidades ficam de fora. É muito difícil ser ator aqui.

 

 

O que lhe dá mais prazer na profissão?

 

R: Nada paga mais que o sorrido da plateia ao te assistir. Que o contato do público após a apresentação quando querem tirar foto, pedir autógrafo. Esse carinho nos gratifica.

 

 

Você já teve vontade de fazer Cinema ou TV? Já surgiram oportunidades?

 

R: Tive e fiz. Dirigi um curta chamado Marcelo, participei de um outro chamado O preço de uma noite, tenho participações em comerciais. É muito bacana esse outro lado e eu adoro.

 

 

Você consegue viver da arte?

 

R: É impossível viver de arte aqui no Brasil quando você trabalha pra sua comunidade, sem incentivos culturais. É impossível viver de arte no Brasil quando o sindicato que deveria valorizar o trabalho do artista, inviabiliza o acesso.

 

Por exemplo, existe uma tabela, que eu chamo de “tabela dos sonhos” que obriga o ator a receber um cachê mínimo por apresentação, se os donos de teatro e produtores a cumprissem, não existiria mais teatros neste país.

 

 

Quais foram os seus principais trabalhos?

 

R: Tenho uma linha de dramas nos espetáculo Urbanicidades I, II, III, IV. Todos escritos e dirigidos por Edson Araújo Lima, a quem sou muito grato, pois foi lá que tive o melhor papel e a melhor cena de minha carreira, com a personagem Baby, uma travesti que foi abandonada pela família, o pai era comandante da polícia e eles se reencontram muitos anos depois...a cena é maravilhosa. 

 

O primeiro espetáculo que atuei no Teatro Bibi Ferreira foi As filhas da mãe, de Ronaldo Ciambroni com direção do espetacular Kaká de Lyma; em infantis tem na lista Pinóquio o carinha de pau, Peter Pan e Sininho na Terra do nunca, As princesas do Castelo encantado, todos dirigidos pelo mestre Sebastião Apolônio e coreografados pelo talentosíssimo Roberto Azevedo, Os três porquinhos o musical e, prestes a estrear, A pequena sereia, com direção de Alexandre Biondi.

 

Também participei da Turma do Chaves Brasil, dirigido por Mileine Aliága, interpretei o Senhor Barriga; agora meus dois orgulhos, são os espetáculos que criei para o Grupo O Fi’los, que coordeno: E agora meus deuses? E o infantil Confusão no jardim.

 

 

Existem trabalhos em cartaz no momento?

 

R: Graças a Deus eu não paro. Segue a agenda (risos).

 

Sábados:     17h15: Os três porquinhos, o musical

                        19h00: As filhas da mãe

 

Domingos:  11h00: Confusão no jardim (até 30 de agosto)

                        16h30: A pequena sereia (a partir de 06 de setembro)

                        17h30: Peter Pan e Sininho, na Terra do Nunca

 

 

Você tem vontade de atuar no exterior?

 

R: Vontade não tenho, mas se aparecer não vou negar ( risos).

 

 

Antes de ser ator, qual era sua profissão?

 

R: Eu sou formado em Educação Infantil e também fiz Letras.  Também me arrisco a escrever, publiquei em 2011 o livro Um pedaço de nós. Um livro de poesias que falam do dia-a-dia (amor, política, amizade, espiritualidade etc)

 

 

Qual seu hobbie quando não está atuando ou dirigindo peças?

 

R: Adoro ir ao cinema, ir a restaurantes, cozinhar pros amigos e assistir novelas (risos).

 

 

Qual seu maior sonho?

 

R: Complicado ,mas digamos que vivo o meu sonho constantemente, nem sempre na realidade. Complexo (risos)

 

 

Qual o conselho que você daria para quem quer iniciar-se na carreira?

 

R: Estude muito! Seja sempre humilde e disposto a ouvir e aprimorar seus conhecimentos. Agora, se quer entrar na profissão pensando no glamour, desista! Certamente estará na profissão errada.

 

 

 

 

                                                                                                       Veja  fotos de alguns trabalhos:

 

                                         

                                                                            Como Baby em Urbanicidade IV. Direção Edson Araújo Lima

                                                        

 

                                           Como Irmão Pedro em As filhas da mãe.  Direção Kaka de Lyma (na foto interpretando Diva Maria)

 

 

             

 

 

                                                                   Recebendo Prêmio de Mileine Aliaga, diretora da Companhia Aliáguias

 

 

                                                                          Como Capitão Gancho em Peter Pan- Direção Sebastião Apolônio

 

 

                                                                                       Como Jão Til  em Fera ​- Direção Sebastião Apolônio

 

 

 

Please reload