Entrevista com o DJ Cangaíba

18/02/2016

 

 

Foi um prazer enorme, conversar e saber um pouquinho mais sobre um dos DJs que fizeram parte da história do Jungle, e que representa o Drum & BASS durante nada menos do que 23 anos!

 

Seja bem vindo, DJ Cangaiba!

 

 

 

Porque Cangaíba? De onde surgiu esse apelido?

 

R:Meu nome de batismo é Epaminondas Reis da Silva Junior.Na época, eu trabalhava com a dupla Thaide e Dj Hum, eles me chamavam pelo meu nome nas festas e era bem complicado (risos). Foi então, que com a ajuda de amigos como: DJ Koloral,DJ Marnel Will ,DJ Andy , DJ Márcio Duarte, Dj Kadu , DJ Marcelo Orbit ,Karllos Dallanese, Dabolina , Dj Marky e meu padrinho DJ Patife  , consegui encontrar um nome que combinasse comigo. Queria algo que retratasse a “ Periferia”.

 

Enfim, são 23 anos como DJ Cangaíba.

 

 

Você faz a alegria dos “ Jungles” desde os primórdios. Como foi seu início como DJ?

 

 R: Na época em que comecei, não tínhamos tanto acesso à internet como nos dias de hoje.

 

Atualmente, os DJs têm tudo na mão, principalmente em matéria de tecnologia. Os discos eram muito caros e o que me restava, era comprar os famosos “ Piratas”. Eu me preocupava muito em saber o nome das músicas, comprava os Piratas, ouvia as rádios e   gravava tudo em fitas cassete. Eu tinha um aparelho de som da Sharp, sem pitch e um fone de ouvido bem simples, em seguida, tive um par de toca discos Telefunken (risos).

 

Creio que alguns amigos vão se lembrar deste equipamento. Não é, Dj Zaidan, Dj Tikko, Alex Smurf , Adriano Scooby (meu afilhado) e DJ Davi Killa.

 

Com o tempo eu fui evoluindo musicalmente e me aperfeiçoando dia após dia.

 

 

Durante todos esses anos tocando, teve a oportunidade de conhecer e tocar com grandes nomes da Noite Paulistana. Quais foram eles e quem continua parceiro até hoje?

 

R: Tenho inúmeros, porém, vou citar alguns: Na Fuze Rádio (Andrey, Ricardo e Waltão) , Tendence (Tikko, Barba, Zaidan, Scooby e Hugo). Dentre outros:  Will, Marnel, Davi Killa Ronaldo Gaya, Ronald, Dabolina , Pixote, Ander Jay , Marky, Alexandre Master, Cláudio Gringo, Oswaldo, Ney Gringos e Bazinho Jay (Flórida Records), Marcio Duarte, Patife, Adriano ( Lagosta) e Luciano Charles.

 

 

Você fez parte de diversos projetos e tocou em casas noturnas mega renomadas. No geral, como foi essa época e sobre os desafios que enfrentou.

 

R: Eu nasci na periferia da Zona Leste, e apesar das dificuldades financeiras, sempre corri atrás dos meus objetivos, dentro das minhas possibilidades.

 

Com a ajuda e indicação de muitos amigos que conheceram de perto meu trabalho e o amor que eu tinha pela música, fui conquistando meu espaço dentro do segmento que sempre amei, que era o Jungle, e hoje o Drum & Bass.

 

Toquei em diversos projetos, vou citar alguns que em minha opinião, deram maior visibilidade ao meu trabalho. Foram eles: Tendence , Fuse Rádio, Clubinho Underground, Canal Dj (recentemente) e muitos outros.

 

 

 

 

Qual a repercussão do seu trabalho nas rádios Web que você participou?

 

R:Muitas pessoas acompanhavam minhas apresentações nas rádios web e automaticamente, me chamavam para tocar nas festas e em todos os eventos que você possa imaginar.

 

Toquei em muitas rádios, mas só fui residente na Fuse, onde eu me apresentava aos domingos e passei um longo período de tempo.

 

 

Não tem como ouvir um som pesado com “Batidas Quebradas” e não lembrar do Cangas.  É o que seu público diz. Em sua opinião, o que é mais importante para se tornar um DJ e cativar o público dessa maneira?

 

 É preciso conhecer seu estilo musical, sempre se preocupando em fazer o melhor, ser humilde, ter respeito para com o público que acompanha o trabalho onde quer que seja, pois muitos enfrentam todas as conduções possíveis pelo simples prazer de prestigiar o som e ganhar um abraço ou mesmo obter um autógrafo.

 

Em 1998, estive no LOV.E, prestigiando o DJ Zinc, cheguei com todas as capas dos discos dele que eu tinha. Quando ele me viu, automaticamente me agradeceu e autografou todas.

 

Ele ficou do meu lado a maior parte do tempo, curtindo e aproveitando muito a festa.

 

Creio que o que falta em muitos profissionais, é a humildade. É graças ao público, que chegamos ao topo, mas infelizmente muitos não reconhecem.

 

 

No dia 27 de fevereiro, fará um ano da morte do DJ Gustavo Slin. Conversando com ele mais ou menos um mês antes de sua morte, ele me contou uma história linda sobre a amizade de vocês. Gostaria de falar sobre isso, deixar uma mensagem especial   e falar sobre o que ele representava no D &B, em sua opinião?

 

R: Eu realmente não tenho palavras para descrever esse cara!

 

Nos conhecemos através da Tata Rodrigues, que me disse que o Gustavo iria fazer uma festa na antiga Pop Corn na Zona Norte e me queria em seu line, para que eu tocasse os “ Jungles”.

 

Me lembro que quando conversamos e eu aceitei, ele não parava de comemorar (risos).

 

Naquela noite, a festa não “Bombou “em relação a público, foram poucas pessoas.

 

Ele me pediu desculpas e disse que queria desistir de tudo. Olhei bem para ele e disse que, ele jamais deveria desistir dos sonhos. A partir daí,nos tornamos grandes amigos.

 

Um episódio em que jamais me esquecerei, será de um dia em que eu estava passando por dificuldades financeiras e que resolvi vender os discos que eu mais amava, para sanar algumas dívidas. O Gustavo de imediato, se prontificou em comprar a maioria.

 

O tempo passou e ele já estava muito debilitado. Um grupo de amigos foi visita-lo e ele pediu para que você (Debby), que também estava com ele, fizesse o favor de me devolver um dos discos que ele havia comprado para me ajudar na época. Mas antes, pediu para que você escrevesse uma dedicatória para mim em nome dele, pois ele não conseguia mais escrever.

 

Fiquei muito emocionado em receber não só o disco, mas também o carinho, respeito e consideração que demonstrou comigo.

 

Ele sempre será lembrado pela sua dignidade, alegria e bondade!

 

 

Aproveitando, quer deixar um recado mega especial para seu público e para todos os amigos que acompanham seu trabalho?

 

R:Agradeço ao público pelo apoio e por estarem sempre ao meu lado.

 

Para você que está iniciando, seja humilde, autêntico, estude todos os segmentos musicais, critique, mas  saiba  aceitar as críticas , pois só assim, crescerá  como músico e ser humano. 

 

Nunca desista no primeiro obstáculo, corra atrás dos seus objetivos, sempre!

 

Agradeço a Deus, minha família, meus filhos, meus amigos e a você, pela oportunidade de falar sobre meu trabalho.

 

 

 

 

Confira uma das muitas  apresentações do DJ Cangaíba

 

               

 

 

 

    Confira as Fotos:

 

 

 

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