Entrevista com O DJ Yes América

24/04/2016

 

 

 

Quem aí  tem saudade dos Clubs Sound Factory, Espaço Nation e das noites totalmente undergrounds , onde além do som pesado e alternativo ,  víamos um público  com um  vestuário  colorido e diferenciado?

 

Se você usou meiões 7/8 , mini-saia quadriculada, colares coloridos, sapato plataforma e máscaras imitando o Altern 8 e cabelos coloridos, você era chamado  " Clubber" e vivenciou essa época!

 

O DJ Yes América, com mais de 20 anos de cabine , fez parte de tudo isso e nos conta um pouco seu trabalho, sobre o saudoso Luana Malu Cat  e sobre essa época mágica e que deixou muitas saudades "

 

Confira!

 

 

 

 

 

São mais de 20 anos estremecendo as pistas  das casas noturnas de SP que fizeram história. Como surgiu a idéia de se tornar DJ?

 

R: Meu interesse pela musica começou quando fui morar ao lado de uma equipe de baile chamada Soul Grand Funk, dos amigos: Jorge, Roberto (In Memorian) e Bio ( In Memorian).

 

Em seguida, estive em uma casa noturna chama Clins, localizada em SBC, ali pude conhecer de perto o trabalho de um DJ.

                                         

                                            

 

Qual era seu segmento musical naquela época?

 

R: Eram o Soul, Funk, Disco, Samba - Rock, depois vieram o Rap e R&B.

 

 

 

É verdadeira a história de que o saudoso Luana Malu Cat, que o apelidou de Yes América ?

 

R: Na verdade, ele apelidava todos os DJs residentes da Sound Factory (risos). Ele me colocou esse apelido e não gostei.

Eu disse ao gerente da Sound (Manoel), que só tocaria se fosse com meu nome original e não como Yes América. Ele concordou, mas quando cheguei para tocar lá, me deparei com um flyer enorme com todos os nomes dos DJs que tocariam no dia e o meu ainda estava como Yes America.

 

“ Surtei” e saí de lá com meu case e fui  pegar um táxi para ir  embora, mas ele ( Manoel)  acabou me convencendo a tocar.

 

Não teve jeito, o nome pegou e estamos aí até hoje! (risos).

 

 

 

Muitas pessoas não tiveram a chance de conhecer o Luana, pelo fato dele ter nos deixado muito cedo. Quem foi o Luana  Malu Cat  na sua visão?

 

R: Ele foi um pioneiro no que diz respeito a temas para festas, com uma visão ímpar para aquela época. Incomodou muitas casas noturnas de SP, que tinham muito mais tempo que a Sound. Sempre divertido, alegre, conseguia com seu carisma contagiar a todos nós.

 

 

 

Você passou por inúmeras danceterias e fez parte de diversos projetos durante todos esses anos. Conte um pouquinho sobre esses trabalhos e também, daqueles  que deixaram saudades.

 

R: Nossa, foram  muitos, mas os principais foram: A New 9, no Ipiranga, onde tive contato com a Dance Music, a Sound Factory, que me deu a oportunidade de conhecer o underground e o Espaço Nation. Eu poderia citar muitas outras, mas de fato estas foram as principais.

 

 

 

Quais foram as pessoas que você pode dizer com propriedade, que te ajudaram no inicio e que continuam presentes em sua trajetória?

 

R: O Gerente da Sound (Emanoel), o Oswaldo de Oliveira (dono) e os DJs Julião e Marky, com quem aprendi e aprendo muito até hoje.

 

 

 

A maioria dos  profissionais da cena  Drum Bass , dizem que você simplesmente “ Toca o terror” nos seus sets ! ( risos).  Quando você seleciona as músicas para tocar, quais as que jamais podem faltar nas suas apresentações?

 

R: Os clássicos sempre estão presentes nos meus sets:

 

Babylon 5 - set it up DJ, Bed Benaviour - Damascus Danse, DJ Taktix - The Way, DMS & The Boneman X ‎– Sweet Vibrations, Dream Team – Stamina, Drumdriver – Sky, Johnny Jungle - Dj Dextrous RMX, Kenectic - Girl if ever, Krome & Time - maniac stamped, Leviticus – Burial, Prizma Feat Demolition Man – Fire, Sharon Forrester - Love inside, Sound of the future - The lighter, UK Apache & Shy FX - Original Nuttah, entre outros.

 

 

 

Durante um bom tempo, você foi apresentador do programa Giga Hertz e também teve participação em diversas outras rádios web. Muitos DJS reclamam da falta de visibilidade dos seus trabalhos em rádios de internet. Qual sua opinião?

 

R: Estamos no país do samba e agora também do pancadão, onde redes de TVs manipulam a população (que segue as tendências da moda).   O público tem fácil acesso as suas músicas preferidas baixando da própria internet. Fora as diversas opções de rádio FM, dificultando não só para mim, mas para muitos DJS que estão no mercado.

 

Resumindo, o público que ouve os programas das Web Rádios, são os que realmente curtem o trabalho do DJ que apresenta.

 

 

 

Muitos profissionais que hoje tocam, passaram pelas aulas do Professor Yes América. Fale um pouco sobre seu trabalho nas escolas por onde passou. É verdade que conheceu alguém especial durante um curso?(risos).

 

R: Passei por algumas escolas como a Andj, Beatmasters, Unipro e algumas que prefiro deixar em off. Nestas foi muito bom trabalhar e formar bons alunos, alguns estão atuando no mercado, outros ainda não tiveram oportunidade.

 

Verdade, foi justo,numa das escolas que deixo em off, que conheci uma pessoa muito especial, que chegou para mudar minha vida, minha companheira que foi minha aluna e no final do curso acabamos nos conhecendo melhor.

 

 

 

Um assunto que sempre causou  polêmica entre os DJS, são os festivais de música eletrônica , onde segundo eles, nem todos tem oportunidade de participar para mostrar seu trabalho , embora a dedicação seja a mesma dos que sempre se apresentam. Dizem que existe a famosa “ Panela”. Você concorda?

 

R: Bem, muitos DJs conseguiram seu espaço, alguns com muito trabalho e outros por outros meios. Para mim, a panela sempre existiu em todos os seguimentos, o problema é que muitos querem simplesmente mandar um set e tocar em um festival, o trabalho de um DJ , exige muito esforço para chegar a esse nível de merecimento.

 

 

 

Qual a dica que você daria para quem pensa em se tornar DJ?

 

R: Trabalhe MUITO, faça tudo com AMOR, se esforce MUITO, seja criativo e procure conquistar seu espaço sem prejudicar os outros.

No caminho existem aqueles que vão reconhecer seu trabalho ou não, mas o mais importante é gostar realmente do que faz.

 

 

 

Quais são seus projetos atualmente?

 

R: Atualmente, estou trabalhando como técnico de áudio. Sempre surgem oportunidades para participar de  projetos de música eletrônica , mas a cena está muito complicada para investir em projetos no momento.

Talvez eu volte a dar aulas de discotecagem.

 

 

 

Gostaria de deixar algum recado para as pessoas e parceiros que acompanham sua trajetória musical?

 

R: Gostaria de agradecer a todos pelo carinho e dizer que sempre estarei fazendo o que gosto até o fim dos meus dias.

 

Valeu pessoas!

 

 

 

 

 

                                                                                                             

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