Entrevista Com O DJ e Produtor Yasser Hansi, O Garoto Prodígio do Psy Trance

26/06/2016

 

 

 

Eu não tenho palavras para descrever , o respeito , o carinho e a admiração que sinto por esse artista nato e completo , que se tornou o garoto prodígio do Psy Trance , iniciando sua carreira como DJ  com apenas 7 anos de idade e arrastando multidões  para suas apresentações em casas notunas renomadas e principalmente, para as saudosas Raves como Mega Avonts, XXXperiense e muitas outras.

 

Seja bem vindo, Yasser Hansi!

 

 

 

Você tem  25 anos de idade e 18 de cabine . Ou seja, você já era DJ com apenas 7 anos. Se apresentou nos melhores eventos nacionais  da cena  psicodélica . De que forma a música entrou em sua vida?

 

R: A música sempre esteve presente em minha vida, justamente por causa do meu pai que veio da cena Rock, ele ouvia  bandas como: Iron Maiden, Slash, Metállica, ACDC, Jethro Tull, Genesis, Pink Floyd, e várias outras. Também amava  Jean Michel Jarre, Pet Shop Boys e Depeche Mode.

 

Desde pequeno , eu sempre  acompanhava tudo, ficava vidrado com tudo isso e foi aonde eu me interessei a escutar cada vez mais músicas que iam do Rock ao Synth Pop, Dance Music,Techno Detroit, House Music ,Trance e foi aonde tudo começou.

 

Ficávamos noites a fio  gravando programas de Rádio , como o Na Balada Jovem Pan (onde tocavam os gigantes da cena eletrônica de SP), Hangar 91 da Difusora FM de Ribeirão Preto,e claro, não perdia um AMP da MTV,amava ficar acordado até tarde só pra ver os ícones da música eletrônica ,e na época não tínhamos internet,o sistema de informações era bem escasso e pequeno,então a única forma de acompanhar, era pela MTV e rádio.

 

O primeiro CD de musica eletrônica que ganhei na minha vida, foi do DJ Marky - Working in the Mix de 1998,e depois disso comecei a saga de querer ser igual , ser um DJ que fizesse as pessoas felizes, não tínhamos condições de ter os melhores equipamentos e tudo veio muito devagar,um toca disco usado,depois outro,e um mixer Gemini de 2 canais bem simples, e fomos conquistando tudo aos poucos.

 

 

 

Esperava esse sucesso absoluto , se tornando o garoto prodígio da cena eletrônica?

 

R: Nunca pensei que ia acontecer tudo isso, sempre tive em mente que queria fazer algo que me deixasse feliz,e não pensava em ganhar dinheiro,em ser o maior e melhor,ou que meu nome estivesse em todos os lugares, simplesmente amava ficar tocando em casa com amigos mais velhos , que eram  Djs e que vinham em casa passar o dia . Alguns amigos se divertiam jogando bola, ou fazendo coisas erradas, mas eu só queria estar em casa com meus toca discos e agulhas Shure,tocando Techno, Drumbass e mais nada.

 

As coisas foram ficando cada vez mais sérias e quando apareceu a oportunidade de me apresentar em público, eu agarrei e deu certo,meus pais NUNCA me julgaram, e nunca falaram que eu tinha que ser isso ou aquilo,simplesmente eles perceberam o que eu mais gostava de fazer e me fazia realmente feliz e apoiaram.

 

Assim como meu pai, minha mãe também é amante da música eletrônica e conhece o movimento, isso ajudou muito.

 

Sempre tive  responsabilidade e estudava como todos os outros meninos da minha idade , isso sempre foi fundamental para mim.

 

 

 

Quais os ídolos do Psy Trance, que o inspiraram e influenciaram  na época?

 

R: Sem dúvida, um dos caras que mais admiro e sou fã, é o Rica Amaral !

 

Ele foi o start inicial pra eu  entrar no Psychedelic Trance, além dele, o Feio, G.M.S, Talamasca, S>Range, Prex, Atmos, Noma, Space Tribe, Man With no Name e fora os  Djs que me inspiraram antes da era Psytrance como: Paul Oakenfold, Paul Van Dyk, Tiesto, Ferry Cornstern,William Orbit, e muitos outros !!

 

 

 

Você participava dos festivais de grande porte, sempre acompanhado pelo seu pai. Como era a logística para que você se apresentasse nas festas, por conta da sua idade?

 

R: Era bem complicado, na época não tínhamos muita mobilidade com passagens aéreas a um preço acessível e muitas cidades que eu precisava tocar, eram distantes e a viagem era muito cansativa para ir de carro.

 

O juizado de menores sempre pegava no pé, pelo fato de eu ser criança e estar nas festas, mesmo que eu sempre estivesse acompanhado pelo meu pai (risos).

 

Já tive problemas em alguns estados brasileiros, onde não pude me apresentar de madrugada e só era autorizado a tocar durante o dia.

Algumas  vezes , tive que ir um dia anterior ao evento, para realizar entrevista com o juizado , para conseguir autorização para tocar, mas isso variava para cada Estado, não era uma regra.

 

 

 

Quais as coisas positivas e negativas que você já ouviu do público, em relação ao seu trabalho? Houve preconceito?

 

R: A Profissão DJ sempre teve um ''certo'' preconceito por pessoas que estão de fora e não sabem como funciona o trabalho, só quem está por dentro e antenado com o mercado entende, pois as críticas sempre existirão.

 

Já escutei muitas coisas boas e ruins, no sentido musical e pessoal.

 

Eu era criança, e ás vezes opinava sem pensar, sobre alguma determinada música ou artista e as pessoas caiam matando (risos).

 

Também tinham preconceito por ser um garoto de sete anos, que fazia um Dancefloor inteiro dançar!

 

Era perceptível! Alguns não gostavam e tinham medo de perder seu espaço e me aconselhavam a largar a profissão, dizendo que dificilmente daria certo (risos). Creio que 99% escutam isso.

 

 Já escutei também uma infinidade de elogios sobre meu trabalho, reconhecimento pelo meu esforço e dedicação á cena eletrônica!

 

 

 

Fale um pouco sobre todos os trabalhos que você realizou durante sua trajetória  e sobre os que visibilizaram melhor sua carreira?

 

R: Fui residente de vários clubs de SP como, o The One, Manga Rosa,Thai, Club A, Ibiza SC, e Raves de SP, como : Millennium, XXXPerience, Mega Avonts, toquei em casas como :Overnight, Cabral, Anzu, Pulse (Goiânia) e festivais como :Trancendence, Tranceformation, Space Live Music RJ, Ceará Music Festival, Mundo de OZ, Soulvision , Shiva Trance, Samsara, Chemical Music e Universo Paralello.

 

Ter tocado e feito parte disso tudo,me deu um reconhecimento gigantesco,( fiz parte de uma época de ouro)! Fazer parte de tudo isso, foi fundamental para minha  evolução como DJ.

 

Depois de tudo isso, além de Dj, com o passar do tempo, percebi que podia fazer muito mais do que apenas tocar,estava na hora de começar a produzir o que eu gostava. Podia tocar sons de outros artistas, incluir os meus e dar uma visibilidade muito maior.

 

Quando criei meu live de Progressive Psytrance Zorak,mudou a minha vida completamente,fiquei muito feliz com a repercussão !

Esse trabalho me fez viajar para vários lugares aonde eu inda não tinha ído,fiz parcerias com outros artistas, lancei meus trabalhos com grandes gravadoras de Psytrance do mundo e levei ao publico uma experiência nova musical,mesclando o antigo com o novo.

 

 

 

É residente de quais projetos atualmente?

 

R: Atualmente trabalho com vários projetos, além do meu live Zorak de Psytrance, produzo um live de Psytrance Noturno , chamado Distorted Forest,voltado mais para sons mais rápidos e mais obscuros no Psychedelic Trance.

 

Além do Remember Trance,no qual faço um Dj set com meu parceiro Marcelo,tocando todos clássicos do Psytrance,fazendo uma nostalgia musical muito boa,fazemos o Remember Classics também voltado ao Funk, Soul, R&B, Hip Hop, indo aos clássicos da dance e house music, basicamente uma volta ao tempo!

 

Além de trabalhar com várias crews e agências envolvidas no trance,fortalecendo cada vez mais a nossa cena,gosto de ter muitas parcerias,como a gravadora Brasileira Vagalume Records,na qual já fiz lançamentos de músicas,e a francesa veterana no Psy Trance -3D Vision e festivais e festas por todo Brasil.

 

 

 

O que você mais gosta de fazer  quando não está na cabine?

 

R: Acho que o que mais faço alem de tocar é jogar games no PC !

Fico por horas e horas jogando com amigos on line,e quando não estou fazendo isso, estou na casa de algum Dj brincando nos toca discos (risos).

 

Pesquiso muita coisa antiga, procuro saber de vários artistas novos e os antigos,saber da história de cada um, ver documentários,filmes e sou colecionador assíduo de Jean Michel Jarre!

 

 

 

Você tem outra profissão além de DJ e Produtor?

 

R: Sim, trabalho como técnico de som em uma  empresa de Ribeirão Preto chamada MSD Sound System,trabalhamos em festas e festivais por todo o Brasil, e quando não estou tocando ,estou com eles.

 

Já trabalhei como técnico em informática, mas nunca foi meu forte. Prefiro sempre estar envolvido com a música.

 

 

 

Gostaria de agradecer a alguém em especial e ao seu público que acompanha seu trabalho desde o inicio?

 

Primeiramente agradecer você (Debby) pela entrevista, fiquei muito feliz em fazer parte disso !

 

Agradeço imensamente e de coração, a todos que acompanham meu trabalho desde o princípio, e a cada um de vocês que fizeram e fazem parte disso tudo!

 

Uma coisa é certa,  sem o publico não se forma um artista.

 

A todos os parceiros de longa data e aos novos, quero dizer que tenho eterna gratidão por tudo. Jamais pensei que iria chegar a esse patamar.

Foram anos de dedicação ao extremo e amor pela música , fazendo tudo com muito carinho.

 

Minha dica para quem quer seguir esse caminho, é  correr atrás e persistir, pois você nunca saberá o que irá  encontrar pela frente, mas apenas faça, se você tem esse sonho, essa vontade.

 

Jamais deixe que alguém tire isso de você!

 

 Conhecimento e humildade sempre em primeiro lugar, esteja aberto a criticas, elogios,aprenda com os veteranos, escute todo tipo de música, e faça o que você ama.

 

"As coisas chegam na hora certa,não  desista"!

 

 

 

Confira algumas fotos da trajetória de Yasser!

 

 

 

 

 

Confira vídeos de alguns trabalhos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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