Entrevista Com Luciano dos Santos Aka Lucky MC

08/07/2016

 

 

 

É com muita emoção e com muito prazer, que recebo aqui um dos MC´s mais amados e respeitados, que representou muito bem seu papel na cena Drum N Bass, botando a pista abaixo com suas rimas durante os sets de grandes DJs  nacionais e internacionais.

 

Ele nos conta um pouco sobre toda a sua trajetória nas festas e dos momentos históricos e memoráveis que viveu, durante todas as suas apresentações.

 

Quem não se lembra de algumas de suas muitas rimas?

 

" I Say Drum  ,You Say Bass, Drum Bass, Drum Bass!"

 

 

Vamos fazer muito barulho para  Lucky MC !!!!

 

 

Debby -  Você foi frequentador das casas noturnas que fizeram história em SP. O que te impulsionou a se tornar MC?

 

R: Sim, frequentei a maioria das casas noturnas de São Paulo. Na verdade, ainda não conhecia o lado mais “Underground” da cena eletrônica, que eram músicas diferenciadas e restritas que não tocavam na pista.

 

As casas noturnas que tocavam esse estilo, era a lendária Show Business, que além de tocar um som comercial, seguia também a linha underground, como: T99 e  2 Unlimited , tocadas pelos Djs Julião & Maurão ( R.I.P)  era praticamente esse o segmento.

 

Depois, juntamente com uns amigos, conheci a saudosa Sra.Krawitz e em seguida, acho que nos meados de 93/94 conheci a maravilhosa Sound Factory, que inaugurou no mesmo local da Show Business. O estilo era totalmente voltado para o Underground, que iam do House e Techno ao Hardcore, tocados pelos Djs Osvaldo (proprietário), Julião e Marky.

 

Com o passar do tempo, a minha danceteria de coração, a Toco Dance Club contratou o Dj Marky,que já tocava Jungle,e como eu já tinha muita amizade com ele e seus amigos Adriano Lima ( Lagosta), Alexandre Souza (Soneca), Raul Cornejo (Chicão), Clóvis (Size), Alex Dinardi (Tio Chico),Willian Braz (Dj Will) e me juntei a eles e começamos a fazer promoção das festas da boate.

 

Um belo sábado, cheguei para trabalhar, o Chicão estava com um cara de Londres (Adrian Harley aka Mc Kontrol), que ele e o soneca encontraram na galeria. Essa noite foi incrível!

 

A hora que o Marky começou a tocar os Jungles, o Kontrol pegou o microfone e começou a cantar, um estilo bem ragga e rápido, todo enrolado, mas com ritmo. A boate veio abaixo!

 

Depois disso, fiz amizade com o Kontrol e perguntei sobre como funcionava o trabalho de um MC. Ele me mostrou umas fitas cassetes das festas de fora (internacionais) e todas contavam com MC´s nos sets dos DJs. Tinha até batalha de MC´s.

 

Se não me falha a memória, era o Grooverider and Det Mc e MC MC.

 

E foi exatamente ali, com ele me dando as coordenadas e me explicando é que comecei a me interessar pelo assunto e interagir com o estilo MC .

 

Os primeiros, foram o Size e Will que faziam esses lances nas festas.

 

 

Debby - Qual primeiro evento que você participou e como foi?

 

R: Meu primeiro contato com microfone nas festas,foi nos meados de 2000, em uma festa que aconteceu dois dias consecutivos na cidade de Atibaia, interior de São Paulo , em um clube aquático da cidade ,  com apresentação nas duas datas do Marky , na sexta Marky e Engenheiros do Hawai e no sábado com a banda de reggae Tribo de Jah.

 

Marky começou a tocar e a multidão parada e ai ele me chamou e falou : “ Lucky , sobe aqui no palco junto com o Size e levanta essa galera, ok?

 

Resultado, fomos pra cima , pois seria nossa primeira festa como MC's! Comecei a acompanhar ele não só como amigo nas festas , mas também como MC.

 

Em meados de 2001, Marky me chamou para cantar com " Nada Mais, Nada Menos " do que Bad Company, era sua primeira tour pelo Brasil !

 

 No dia seguinte ,foi na matiné do Cabral e foi um estouro!

 

 E só tenho a agradecer ao Marky pela confiança e oportunidade dada. Fico  emocionado quando relato essas histórias, pois foi a partir daí é que os DJs reconheceram a importância de um MC em seus sets e realizei muitos outros trabalhos com muitos artistas da cena nacional, incluindo também os internacionais como: Bryan Gee, J.J.Frost, Ray Keith, Addiction, Loxy , Ink, Marcus Intalex  e muitos outros .

 

 

 

 

Debby - Você teve participação nos principais festivais , em uma época histórica da cena eletrônica. Fale um pouco sobre todos esses trabalhos e sobre essa fase.

 

R: Não demorou para eu receber convites para apresentações nos grandes festivais de música eletrônica como: Mega Avonts, Exxperience, Turbulence, e muitas outras raves. Eram com DJS Marnel e Will que tocavam b2b.

 

Tive também a oportunidade de estar na Parada da Paz e nesse dia pude finalizar o evento em cima de um palco gigantesco da gravadora nacional TRAMA, junto com Size MC e Dj Andy. Esse momento foi histórico, pois os promoters desse palco não queriam que eu e o Size nos apresentássemos, temendo que não fosse bem aceito e prejudicasse o Selo, pois estavam presentes ali no evento todos os veículos de comunicação e de olho na parceria da Parada da Paz com o Palco Trama. Mas o Andy conseguiu convencer o Brunno E, Dudão Melo e Patrícia Corrêa, e quando comecei a introdução falando da Parada da Paz no palco nos trios elétricos,  o Falco, que estava finalizando com chave de ouro sua apresentação, pediu para que todos levantassem as mãos e que " Fizessem muito barulho"!

 

O  Andy começou a primeira música já com rewind ! Nossa, ,eu só olhava para cara dos produtores do palco (risos).

 

Só deu tempo de chegar perto do Size e falar assim: Vamos bagunçar sem dar espaços, um ajuda o outro!

 

E foi assim que saímos do palco, ovacionados por muita gente, principalmente pelo  trio da Trama.

 

 Os anos foram passando e participei de quase todos os festivais Skol Beats, sendo  que o que me marcou foi um no qual  cantei com os meninos do 2 Funkyz ( Beto Dog Face e Cezar Peralta), que fizeram um set incrível e colocaram todos para dançar !

 

Também tive um momento de glória no final do set do Marky com Dynamite Mc´ & Stamina Mc. Fiz um só pedido em respeito ao melhor Dj do mundo (Marky), que foi para que apagassem as luzes da tenda e que todos colocassem seus isqueiros acesos ou celulares para cima e foi maravilhoso! Todo o local iluminado e a galera gritando o nome dele “ MARKY, MARKY, MARKY...”.

 

Também participei de 7 edições da Spirit of London na tenda Marky & Friends, Ceará Music Festival Eletronic, Manaus Beats, Yamadda Tim Festival,e tive o prazer de cantar fora do Brasil ( Venezuela) e residente das principais festas como The Bass, Vapour e M & F.

 

 

 

Debby - Quais foram os DJs que o acompanharam e também fizeram parte da sua trajetória e como era sua relação com cada um deles?

 

R: A principal fonte  para eu ter dado o primeiro Start na minha trajetória, foi nada mais nada menos, do que um grande amigo e companheiro de cabine, o Dj Marky, sem dúvida. Ele confiava muito no que eu fazia nos mics, parecia que ensaiávamos , mas nada disso acontecia, era de improviso mesmo, pois eu conhecia as músicas e a mixagem que ele fazia e dava muito certo nossa parceria.

 

Também tive outras parcerias como:  Marnel & Will, Koiti, 2 Funkyz, todos faziam seu set perfeitamente e nem precisavam dos meus  vocais, mas a galera se empolgava  com a  minha participação, pois além do talento deles eu implementava uma vibe única chamando a galera para repetir algumas rimas minhas como “ I Say Drum ,You Say Bass” ,Go DJ ,Go DJ, Go, e os pedidos para fazer barulho (risos).

 

Minhas rimas ficaram marcadas nas festas de Drum Bass e a galera vibrava com os sets contando  com minhas participações.

 

 

 

Debby - De todos as festas que você participou, qual foi a mais marcante? Qual deixou saudades?

 

R: Todas deixaram saudades, pois cada uma tinha seu público e sua vibe. Mas a festa que mais sinto saudade é da  M&F, pela organização, line Up, e vibe incrível. Muitos que estavam ali na pista curtindo, não eram da cena e saiam de alma lavada depois de curtirem e dançarem ao som das músicas e por todo o clima que a festa proporcionava á eles.

 

Outra que me marcou muito, foi a The Bass no antigo Club Susi in Transe, ali no largo do Arouche, em um porão que fazia qualquer pessoa ficar extasiada com a festa. Nesse dia, foram 12 horas de som (18:00 hs as 06:00hs), com um line Up maravilhoso e recheado.

A edição do  The Bass no Club D-Edge na Barra Funda, também foi maravilhosa. Foi a inauguração de uma festa de Drum and Bass de domingo (17:00 hs ás 23:59 hs), com a apresentação de MR. Bryan Gee, com lotação máxima e com uma Mega Vibe, com direito a muitos “Rewinds”.

 

Uma festa também que foi de se arrepiar dos pés a cabeça, foi uma Marky & Lucky MC, na domingueira da Cervejaria Paulista no Shopping Internacional de Guarulhos. Fomos convidados pelo DJ residente, o Dextar . A casa atingiu a lotação máxima.

 

Uma das melhores festas, que eu não poderia deixar de mencionar também, foi a M&F no Clash Club.

 

 

 

Debby - Na sua opinião, qual a importância de um MC para o segmento de Drum N Bass?

 

R: Como diria o  Silvio Santos- “Com uma nota só, qual é a música???” A importância é de 100%. Faz muita falta!

 

O público me questiona em relação a isso e pedem para que eu retorne.

 

Para você ter idéia, na última festa que fui, foi na M&F, em 30/01, na Áudio Club, para ver o Lenzman (de quem sou muito fã), estava na pista lavando minha alma e dançando muito e até chorando, pois ali passava um filme em minha mente e a história da minha vida, um estilo chamado Drum And Bass ,e que eu fiz ou melhor, ainda faço parte , pois foram 24 anos.

 

A galera vinha me pedir para tirar foto bem na hora em que eu estava viajando na maior vibe e como eu percebi que seria impossível ter um pouco de privacidade para aproveitar melhor a festa, acabei saindo da pista, pois fazia tempo que eu não dançava e curtia tanto uma festa como aquela.

 

Não foi por maldade, mas sim, para curtir meu ídolo nos toca-discos.

 

 

 

Debby - Os Junglists, tem sentido falta das suas apresentações nos eventos . Por qual motivo você parou de se apresentar ? Pretende voltar algum dia?

 

R: Em relação a eu ter me afastado da cena e dos microfones, afirmo que foi por motivos pessoais.

 

Foi um momento difícil para mim, mas tive que parar, pois meu primeiro filho Bryan Lucca teve um problema de saúde muito sério e até hoje requer cuidados.

 

Eu precisava pôr a cabeça no lugar naquele momento, não tinha cabeça para cuidar do meu filho e continuar nas festas.

 

O meu Deus, não se agradaria da tal façanha!

 

Hoje graças a Ele (Deus), meu filho se encontra bem e recuperado.

 

Se eu voltaria a cantar? Poderia ser o caso, mas não nesse momento. Quem sabe daqui a um ou dois anos e também se os DJs me convidarem!

 

 

Debby - Atualmente, você faz parte algum projeto ?

 

R: Hoje faço um outro trabalho no estilo musical, fui convidado a ser um Manager de um selo brasileiro de Drum N  Bass, a SoulBass Recordings, do meu amigo Renato Tecnic.

 

Eu disse a ele, que aceitaria , se ele me desse carta branca e confiasse no planejamento que eu tinha em mente com o selo e sobre produção.

 

Se se não fosse como eu quisesse, eu agradeceria o convite, mas não aceitaria.

 

logo de cara ele aceitou e até o mês de Dezembro de 2016, teremos 22 releases lançados, com pelo menos 5 já para o ano de 2017 e todos com artistas diferentes, ate posso destacar alguns aqui como: Shotik, Jbrown, Electric Soul, Interface Bass, Broken System, Dj LynkBrunno Junglist, Márcio Mouse, Mystific , e mais algumas surpresas.

 

Temos os  renomados Simplification & Translate, com uma de suas faixas tendo o remix do Randon Movement , Lside, Duocience  Unreal.

 

Só tenho a agradecer, pois o trabalho está sendo reconhecido aqui dentro e fora do país. A minha ideia não é só lançar as faixas desses produtores não reconhecidos pela mídia nacional ou mundial e sim fazer com que tenham visão para o que gostam de fazer não só por amarem a música e sim para serem profissionais com seus talentos. 

 

A partir daí, tive a idéia de fazer o convite ao meu amigo e companheiro, o lendário Alexandre Souza aka Soneca. E é ele que organiza musicalmente o selo, arruma o soundcloud, distribui as faixas para os DJs e para as Rádios Webs do mundo.

Eu me orgulho muito deste trabalho e estou me dando bem fora dos palcos e tenho muito o que ajudar a cena com a visão que tenho para com a música.

 

Vamos conseguir algo bem maior em breve. Aguardem !!!!!

 

 

 

Debby - Gostaria de deixar uma mensagem para alguém em especial e ao seu público que sempre acompanhou seu trabalho?

 

R:  Agradeço primeiramente a Deus, em quem sempre confiei nas horas mais difíceis, pois ele que me proporcionou muita alegria nos palcos

e no estilo de vida Drum and Bass, por ter me dado um dom de estar ao lados dos melhores DJs de Drum And Bass do mundo cantando ou embromando ( enrolando a fala) mas funcionava .

 

Agradeço muito ao Dj e amigo Marky pela primeira oportunidade dada como Mc´, aos DJs que acompanhei em vários set´s: Marnel, Will, Linky, Koiti, Koloral, Beto Dog Face & Cezar Peralta aka 2 FunkyzWes, aos promoters que me convidavam para outras festas do mesmo estilo, Adriano Lima aka Lagosta, Eduardo Araújo que também era DJ , ao Edo Van Duyn que foi meu agente e acreditava no meu trabalho .

 

E por fim não poderia deixar de agradecer ao público e a massa junglist , que foi quem acreditou no meu trabalho, vibrou com as minhas participações nos palcos ao som do Drum And Bass , faziam barulho , cantavam minhas rimas e tudo isso fez com que eu me tornasse um Mc.

 

Obrigado eternamente á todos de coração!

 

A mensagem que posso deixar aqui á todos são 2 frases que fazem partem da minha vida todos os dias:

"- Confie e acredite em Deus,pois ele estará sempre ao seu lado nas  horas que você menos esperar, pois ele é fiel! "

 

E a segunda frase é uma que sempre dei como autografo aos meus fãs:

-"DRUM AND BASS 4EVER BABY !!!”

 

Quero também te agradecer Debby, pois depois de 12 anos de carreira, essa foi minha primeira entrevista !

 

Sinta - se privilegiada! Grande beijo e muito obrigado !!!

 

By Lucky MC

 

 

 

                                                                       Confira fotos de algumas apresentações durante sua trajetória!

 

 

 

 

 

Please reload