Entrevista com Dj Arthur Henri Jay

14/01/2017

 

Os amantes do Flash Back e do Flash House, certamente já ouviram falar a respeito do  profissionalismo e  feeling musical apuradíssimo do DJ Arthur Henri Jay.

 

Ele nos relata muitas histórias  e experiências no cenário musical  desde o início de sua carreira.

 

Welcome, Arthur Henri Jay!

 

 

 


O que te levou a se tornar DJ, quais foram suas influências musicais e como tudo começou na cena eletrônica?

 

R: A música sempre fez parte da minha vida, ouço desde criança, e aliás, só conseguia dormir ao som do rádio ligado.

Fui influenciado pelos meus pais, que eram bem ecléticos musicalmente. Como por exemplo, minha mãe, tinha um gosto musical mais popular, sintonizava na Rádio América AM e curtia Roberto Carlos, Sidney Magal, Evaldo Braga e vários outros. 

Meu pai, já curtia rock progressivo e pop internacional, alguns deles: Pink Floyd, Yes, Genesis, Alan Parsons Project, The Police, etc.

 

Eles tocavam alguns instrumentos musicais também, como violão, flauta e teclado. 

 

O gosto pela música eletrônica (ou dance,por assim dizer),se iniciou quando descobri programas de rádio em FM, como a Rádio Flight do grande Julinho MazzeiAmerican Top 40Band Dance, etc.

 

As locuções e as plásticas gringas com músicas dance  não paravam (sem intervalos entre as canções),foi então que descobri o que fazia um DJ e como funcionavam as mixagens.

 

Na época (anos 80) ouvia as rádios MancheteBand FMJovem Pan, com programas mixados por DJs como GregãoIrai CamposRicardo GuedesBadinha e uma infinidade de artistas.

 

Posteriormente, no fim dos anos 80 e inicio dos 90, a Nova FM Record foi a rádio que revolucionou o dial e deu espaço a Djs e a dance music na programação. Isso tudo me cativou e me fez querer saber mais e aprender sobre a profissão.

 

Comecei de verdade como quase todo DJ na época, aos 13 anos tocando nas festinhas dos amigos e da escola, no bairro da Moóca em SP, onde morei por mais de 30 anos.

 

Neste mesmo bairro em 1988, surgiu a Overnight , que foi uma casa noturna que fez a diferença na história da música eletrônica.

 

Estive na inauguração e me deparei com a iluminação, o som e a vibe daquele lugar,somado a técnica do DJ Badinha, que tocava tanta música bacana e mixava muito. A partir daí, decidi que era aquilo que eu queria fazer para o  resto da vida. Foram cerca de 3 anos fazendo festas no bairro,até chegar a primeira oportunidade como profissional.

 

Em meados de 90/91 cheguei a fazer um curso pra DJs ministrado pelo DJ Cadico, que na época tocava no programa The Flash na Manchete FM. Foi então que fui conhecendo os profissionais da área, até aparecer minha primeira oportunidade, que surgiu quando levei um colega pra conhecer e fazer um curso pra Djs na extinta Rock N´ Soul, do DJ Gregão, que ficava em Pinheiros.

 

Através do curso,eu e meu colega fomos chamados pra tocar numa pista de patinação em Moema chamado Bad Wolf, onde recebi meu primeiro cachê como DJ.

Aconteceu nesse dia um fato até engraçado, eu no auge dos meus 17 anos, tocando para a garotada da mesma idade, uma menina aparentando uns 15,16 anos,subiu na cabine e me pediu uma música. Até ai tudo bem,se não fosse o modo de como ela me abordou,mandando um "Tio, toca Lee Marrow?" (risos). Esse é um fato que lembro até hoje,como um dos mais pitorescos da minha carreira (risos).

 

 

 

 

De todas as casas noturnas que você passou, quais foram as mais importantes e que te impulsionaram em sua carreira?

 

R: Nesses 29 anos de carreira,passei por muitas casas, tanto como residente,quanto convidado. Mas posso destacar a primeira onde toquei, como já havia mencionado antes, a Bad Wolf em Moema em 1992. Como residente, tiveram a Archote, tradicional casa noturna em SP, que foi inaugurada ainda na década de 70. Essa casa teve filiais espalhadas pela cidade nos bairros da Moóca, Vila Formosa, Moema e na Aricanduva, onde eu fui residente por 5 anos.

 

Outras casas importantes para mim, foram o Papagaio Vintém, em Santana, Cervejaria Devassa no Jardins, O Casarão na Vila Formosa (onde a convite do meu amigo, DJ Rogério Caldeira) toquei em grandes noites de flash back com casa lotada.

 

Além de já ter tocado também como convidado em algumas das principais casas de flash back em SP, como Lotus,Mary Pop e Over Night Vila Olímpia.

 

 

 

Quais os eventos que você sonha em um dia ter a oportunidade de tocar?

 

R: Acompanho bastante a cena eletrônica atual e é claro que a gente almeja sempre tocar em algo maior. Apesar do mercado onde atuo ter poucos eventos grandes, ainda tenho vontade de poder participar algum dia de um festival onde eu possa tocar umas das vertentes que eu mais gosto, que é a House Music.

 

 

 

Você também realiza trabalhos como sonoplasta e editor e passou por algumas emissoras de Tv como o Sbt e recentemente A Fazenda, transmitida pela Record. Fale um pouco sobre essas experiências.

 

R: A grande responsável por isso, é a Laura Finocchiaro (cantora e compositora), pessoa a quem devo toda minha experiência em produção musical de reality show.

 

Comecei a trabalhar com ela desde 2002, após o sucesso da primeira edição da Casa dos artistas no SBT, em 2001, ela percebeu que necessitava de alguém para ajudá-la, porque a rotina num programa desse porte é uma loucura. Todo mundo acha que porque trabalhamos com música praticamente o dia todo, tudo é festa e diversão, mas a responsabilidade é grande.

 

É claro, que a gente faz o que gosta e se diverte fazendo, mas temos muitas tarefas a serem realizadas e o volume de trabalho é intenso.

 

Na época, o SBT já havia decidido fazer a segunda edição da Casa dos Artistas e a Laura começou um processo de seleção para encontrar alguém. Nesse meio tempo, um grande amigo meu, que já trabalhava no SBT há muitos anos, comentou sobre meu trabalho á ela.

 

Resumindo, logo de cara ela gostou do meu jeito de ser e de  lidar com as coisas e também por eu não ser nem um pouco metido. Ou seja, era o que ela precisava.

 

Dali em diante ela me ensinou tudo e a nossa parceria deu início, sonorizamos vários programas no SBT até 2007, durando até 2014.

No caso da Record, foram 12 anos trabalhando juntos. A Fazenda, pode-se dizer que é uma prolongação da Casa dos Artistas, pois uma parte da direção, é a mesma que a gente trabalhou antes.

 

O convite veio naturalmente pra Laura e consequentemente a mim. Começamos em 2009 no projeto, a Laura saiu em 2014 e eu continuei até a última edição, (A Fazenda 8), que foi exibida em 2015.

 

Em relação ao trabalho que exercemos, é bem grande e contamos com assistentes para nos ajudar, nossas tarefas incluem catalogar e carregar banco de músicas para os computadores, cerca de 3 teras de músicas e mais uns 5 teras só de trabalhos feitos anteriormente, muitos efeitos sonoros e trilhas especiais, selecionar músicas para cenas do cotidiano do programa, para as provas e sonoplastia do programa ao vivo, tocar nas festas (tarefa exclusivamente minha desde a primeira edição), sonorizar as vinhetas gráficas,fazer aquelas listas infindáveis com as musicas tocadas, para serem enviadas ao ECAD, dentre outras tarefas.

 

Enfim, como pode ver, é muita coisa(risos). Porém, é  um trabalho totalmente gratificante, pois lançamos muitas músicas, resgatamos outras tantas esquecidas e o que é mais bacana, não nos prendermos ao que é sucesso atual ou ao famoso "jabá", tendo liberdade pra escolhermos as músicas que achamos ideais pra determinadas cenas, sendo conhecidas ou não.

 

 

 

Estamos em 2017 e alguns artistas que iniciaram nos anos 90, continuam tocando o mesmo estilo musical de 27 anos atrás, ou seja, Flash House. Grande parte do público que acompanhava as festas de flash back, enjoou e passou a frequentar casas noturnas onde pudessem ouvir novidades. Qual a sua opinião em relação a essa situação?

 

R: A cena, a música e o comportamento mudaram muito com o passar dos anos, quem era adolescente na época, hoje é pai de família, ou seja, não tem tempo, nem o mesmo "pique" para aguentar uma balada a noite toda.

 

Festas como as do Energia Na Veia, por exemplo ou as do projeto que participo com meu brother Rogério Caldeira, a Flash Premium, tentam resgatar esse publico, que ficou mais velho e agora tem filhos e nem sempre pode sair para dançar, mas ainda assim, curte as musicas dos anos 80 e 90.

 

Vejo a "cena flash" atualmente "saturada" ! São muitas festas toda semana,com os mesmos DJs, as mesmas músicas e o publico acaba enjoando mesmo.Não há inovação, nem preocupação com o bem estar, nem esmero para proporcionar algo de qualidade por parte dos organizadores com o frequentador dessas festas. A partir daí, algumas pessoas procuram outras opções de lazer, ou até outras festas  onde possam unir boa  música com  ambiente agradável e de qualidade.

 

 

 

Além da cabine, você também se apresenta em eventos corporativos. Qual dos eventos você sente mais prazer em realizar e por qual motivo?

 

R: Sim..durante o ano todo continuo tocando em eventos corporativos, festas de casamentos, aniversários, etc. Cada evento é diferente e traz a sua particularidade. Ás vezes, aquele que a gente acha que não seria um sucesso,acaba surpreendendo e se tornando uma baita festa.

 

Atualmente sou o DJ das festas de fim de ano dos funcionários do SBT, realizado sempre em Dezembro,já pelo terceiro ano consecutivo.

 

Isso tem me dado muita satisfação, por uma série de razões,como por exemplo, se trata de um local que eu trabalhei por alguns anos,tenho muitos amigos e principalmente liberdade em me apresentar tocando o que realmente gosto.

 

 

 

Quais os Djs que você admira e que na sua opinião, mereciam estar entre as premiações?

 

R: Tenho a honra em dizer,que o Badinha, o cara que me inspirou a ser DJ, hoje é meu amigo. Além dos saudosos Ricardo Guedes,referência em técnica e o Gregão, pai de todos os DJs e que infelizmente hoje não estão mais conosco.

 

Mas admiro muitos profissionais, não só da old school,como os mais novos. Vejo na maioria das vezes listas com os 100 melhores DJs em várias revistas e fico abismado em notar,a quantidade de gente ali, que são puro e simplesmente produtos da mídia, desprovidos de qualquer talento para a  coisa.

 

Ainda assim vejo novos talentos se destacando como o Fabio San, na cena flash back e na música eletrônica nomes como o de Bruno MartiniVintage Culture, dentre outros.

 

 

 

Quais são seus projetos atualmente?

 

R: Tenho algumas encomendas de remixes de duas músicas do Elvis Presley, interpretadas pelo cantor Allex Flores a serem finalizadas, além do projeto Flash Premium com meu amigo e sócio DJ Rogério Caldeira, onde continuaremos em 2017, trazendo uma festa de flash back diferenciada de todas, primando pela qualidade,assim como foi na última edição em Novembro.

 

Paralelo a isso,a volta do meu trabalho como DJ das festas e na produção musical do programa A Fazenda na TV Record. E é claro,retomar meu lado produtor, com a conclusão do meu EP em parceria dos meus colegas,a cantora Pate Zanetti e o DJ e produtor Guilherme Lopes do duo Drumagick.

 

O projeto deu o start em 2013 com o lançamento da musica "I Need",no qual tive um belo feedback de muitos ouvintes estrangeiros, mas por incompatibilidade de agendas,demos um parada no projeto,mas a minha intenção é retomar as produções e concluir o EP com mais 5 músicas a serem lançadas lá fora primeiramente.

 

 

 

Gostaria de homenagear alguém em especial ou deixar uma mensagem ao público que acompanha sua trajetória desde o início?

 

R: Primeiramente quero agradecer a você, Debby pelo espaço e oportunidade de eu poder contar um pouquinho da minha trajetória.

 

Agradeço pelo respeito e carinho de  todos que me acompanham nas rádios em que me apresento, nas festas,casas noturnas, etc.

 

É muito gratificante você realizar um trabalho e ser reconhecido por ele, pois nos motiva a melhorar cada vez mais.

 

E pra finalizar, o meu conselho a quem quer ingressar na área é : Seja humilde, opte pela ética, faça com amor e dedicação e acima de tudo, parafraseando o mestre Ricardo Guedes: Só há um meio de você se dar bem na vida, pratique o bem, pois você fazendo o bem, é impossível você dar errado! 

 

 

 

 

CONFIRA FOTOS DE ALGUNS DOS SEUS TRABALHOS!

 

 

 

CONFIRA ALGUMAS DAS SUAS APRESENTAÇÕES!

 

 

 

Apresentação no Canal DJ

 

 

 

Apresentação no Ponto dos DJs - Especial Mary Pop

 

 

 

 

Apresentação no Cabral - Energy Fest

 

 

 

 

Apresentação na Archote Aricanduva - Ano de 2001

 

 

 

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